Estudante com doença degenerativa conquista título de doutor na UFRGS
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- 4 de mai. de 2018
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Formado em Psicologia, Cláudio Luciano Dusik de 41 anos, que sofre de uma atrofia muscular espinhal (AME) em estágio avançado, apresentou na tarde da quinta-feira passada (26) sua tese de doutorado na Faculdade de Educação da UFRGS. Intitulada “A interação entre interface cérebro computador e sujeitos com incapacidade motora grave para comunicação”, a tese também foi um tributo amoroso à mãe, a professora Eliza Arnold, 63 anos, pois o filho exaltou a sua inabalável persistência.

Dusink desenvolveu uma interface entre o computador e as pessoas com incapacidade motora grave, como a que ele próprio tem. Nessa interface a comunicação é feita através de piscadas de olhos. O objetivo é que possam, através de sinais cerebrais transmitidos por uma espécie de tiara com sensores acoplada à testa, digitar em um teclado apenas piscando os olhos. Os movimentos são transformados em letras, que formam sílabas e palavras, expressando desejos.
Por quase duas horas, o doutorando falou como se não tivesse nenhuma limitação. Com slides que exibiam a frase "Acredito, por isso existo", ao longo da apresentação o psicólogo relembrou sua trajetória de vida que, segundo os médicos, não deveria ter ultrapassado os sete anos de idade. Desde a dissertação de seu mestrado, cinco anos atrás, o seu quadro de saúde piorou, porém mesmo com as dificuldades, o doutor investiu, em seu mestrado eno doutorado, em áreas nas quais não possuía conhecimento para desenvolver seus sonhos em tecnologia assistiva.
Em seu estudo, Cláudio nomeou como D'Artagnan, Porthos, Athos e Aramis, personagens de Os Três Mosqueteiros, romance de Alexandre Dumas, os sujeitos de sua pesquisa, para resguardar a identidade dos pacientes. Em 2016, ele próprio tornou-se um dos avaliados e devido a um infarto e após uma traqueostomia que o impedia de falar, ele teve a chance de testar sua invenção no hospital o que o levou a chegar a conclusão de que sua pesquisa já estava contribuindo para a sociedade.
Com o lema dos mosqueteiros, Cláudio foi aprovado com A e três estrelas. Para os presentes, o doutor fez uma demonstração do equipamento que embasou sua tese, piscando para o teclado, escreveu: “pós-doutorado”, que será seu próximo passo. Ele ainda declarou: “Enquanto a pessoa continuar pensando e desejando, ela está ali existindo. Precisamos que todos nós, da área da ciência, sejamos ”um por todos e todos por um".
